FIPE explica baixo impacto do biodiesel na inflação




Presidente da APROBIO e economistas da Fundação mostraram na Conferência BiodieselBR os impactos do biocombustível na economia



 



O impacto da produção de biodiesel no índice da inflação brasileira não passa de 0,037 pontos percentuais (p.p.), quando comparado com o preço do diesel mineral produzido pela Petrobras. Na comparação com o preço médio do derivado de petróleo importado pela empresa, a diferença é ainda menor: 0,034 p.p.

A conclusão é do estudo que a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), da Universidade de São Paulo (USP), "Impactos Socioeconômicos da Indústria do Biodiesel no Brasil", apresentado ontem (1º/10) pelo diretor presidente da BSBIOS e presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), Erasmo Battistella, na Conferência BiodieselBR 2012, em São Paulo.

O trabalho aborda, também, aspectos como o impacto na balança comercial do país com a economia na importação de diesel, o volume de recursos agregado ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, a geração de emprego na cadeia produtiva, a redução de gases poluentes com o uso do biocombustível, entre outros pontos.

Os números do impacto inflacionário se aplicam para a atual mistura de biodiesel no diesel, de 5%. A FIPE projetou o mesmo impacto com o aumento da mistura para 7%, quando ele seria de 0,053%; 10% (0,075%); e 20%, quando a contribuição do biocombustível não passaria de 0,161%.

Na mesma projeção de mistura, com 7% de biodiesel no diesel fóssil, o número de empregos gerados pode chegar a 132.642, agregando R$ 13,4 bilhões, por ano, ao PIB. Com 10% de adição, os empregos devem ser de 204.615 e R$ 20,7 bilhões de riquezas geradas anualmente. E, por fim, com 20% de mistura, o cenário seria de 459.660 postos de trabalho, com R$ 49,1 bilhões no PIB anual.

O presidente da APROBIO disse que espera que o estudo ajude a desconstruir o argumento de que o biodiesel alimenta a inflação e compromete as metas traçadas pela área econômica do governo. "Acredito que agora temos, o país tem, uma fotografia mais precisa dos benefícios do biodiesel".

O levantamento já fora apresentado na semana passada pelos economistas Joaquim Guilhoto e Marcelo Cunha, da FIPE, a uma equipe de técnicos do governo federal em Brasília. Desde o final de abril este grupo interministerial concluiu a proposta de marco regulatório para o setor, prevendo os passos desse mercado nos próximos anos. Até o momento, a matéria não foi encaminhada ao Congresso Nacional para votação.

A FIPE aplicou no estudo a metodologia da teoria insumo-produto, calculando custos, impostos e valor agregado da cadeia produtiva para ir de um extremo ao outro. Segundo Cunha, no cálculo da inflação gerada, a metodologia aplicada comparou o custo de produção e margem média de lucro do biodiesel na comparação com o preço médio do produto que ele substitui ou complementa, no caso, o diesel fóssil, importado e nacional.

"Assim, temos a inflação sem a presença do biodiesel na matriz energética do país e a real, verificada com a mistura atual de 5% do biocombustível com o diesel mineral (B5, em linguagem técnica)", diz Cunha. No ano passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), foi de 6,503%. Sem o biodiesel na cadeia de combustíveis, ele seria de 6,467%.

No cenário alternativo do estudo, onde a FIPE simulou qual seria a inflação na economia brasileira se o preço do diesel nacional fosse igual ao preço do diesel importado e comparou o preço do biodiesel com o do diesel importado, verificou que a inflação de 2011 ficaria em 8,297%. Sem o combustível verde, ela seria 8,263%. O histórico do impacto inflacionário vai de 2008, quando a presença de biodiesel na mistura com o diesel começou a aumentar (2,43%) ao ano passado, quando já estava em 5% desde 2010.

De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia e do IBGE, utilizados pela FIPE no levantamento, a necessidade de diesel no mercado brasileiro é de 50 bilhões de litros por ano. De 15% a 20% deste volume era importado, até a Petrobras anunciar este mês que dobrará as compras externas de gasolina e diesel.

O estudo mostra, ainda, que a produção de biodiesel gerou em quatro anos (2008-2011) um incremento de R$ 12 bilhões no PIB e 86.112 empregos, desde a agricultura familiar, que fornece matéria prima para a indústria, até a distribuição do biocombustível na cadeia produtiva.

Só no ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, mais de 104 mil famílias de pequenos agricultores receberam cerca de R$ 1,4 bilhão com o fornecimento de matéria prima para o processamento de biodiesel. É o maior programa de transferência de renda para o homem do campo, superior, em 2011, ao orçamento destinado à reforma agrária.

A produção de biodiesel, segundo o trabalho da FIPE, economizou, no mesmo período, 2008 a 2011, R$ 11,5 bilhões em importação de diesel no saldo comercial da balança de pagamentos, e gerou R$ 14,1 bilhões na produção de farelo de soja, outro item importante da pauta de exportações brasileiras.

Nos mesmos anos, 2008 a 2011, cerca de 11,8 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente deixaram de ser lançadas na atmosfera, pelo uso do biodiesel junto com o diesel fóssil.